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Acordeon

O acordeon é muito famoso por ser utilizado nos tangos. Mas engana-se quem pensa que é exclusivamente da cultura argentina. Diz a lenda que um imperador chinês do século 3.000 a. C pediu a um estudante que criasse uma forma de imitar o som de um pássaro. O jovem então inventou o Cheng, instrumento com 13 a 24 palhetas de bambu que reverberavam em uma cabaça. Outros instrumentos que usavam o mesmo princípio foram elaborados no Egito e na Grécia.

 

O acordeon foi elaborado pelo austríaco Cyrillus Damian, em meados de 1829, mas somente 20 anos depois recebeu os teclados que conhecemos. Depois de ser difundido pela Europa por volta de 1770, principalmente nas festas nas aldeias, chegou ao Brasil no século XIX, trazido pelos imigrantes italianos. Possui as teclas, do lado direito, e botões, que podem variar entre 12 (infantis) e 140, do lado esquerdo. Porém, no chamado acordeon cromático há botões dos dois lados. No meio fica o fole, responsável por controlar a duração e outros efeitos das notas.

 

Na música árabe, foi introduzido na década de 40, quando recebeu uma nova afinação e passou a integrar orquestras. Você já deve ter percebido que é raro encontrar um solo de acordeon, com exceção das músicas libanesas. É o caso do libanês Alex Menakian, um dos melhores instrumentistas de acordeon, que fez inclusive interpretações de taksins. Há registros de criação e composições para o instrumento na Turquia, Israel e Armênia. Nos anos 80, este belo instrumento começou a ser substituído por efeitos Midi de órgãos imitando sua sonoridade.

 

Acordeon, sanfona, gaita de fole, realejo e concertina. Não consegue entender como todos podem ter sons tão diferentes? Bom, o princípio é o mesmo, o que muda é a afinação, já que na música árabe o acordeon é usado na escala maqam, diferente da escala usada no ocidente por ter os quartos (1/4) de tom. Acompanhe no vídeo a execução de um solo de acordeon. Veja como a bailarina trabalha ora o ritmo, ora a melodia do instrumento.

 

Seu som é sensual e os movimentos que seguem acabam contendo essa característica. Movimentos ondulatórios são obrigatórios na hora de ler este instrumento. Oitos e redondos e se prepare para executá-los com muita agilidade, devido às mudanças rápidas de notas. Treine muitas ligações de passos, pois o som rico do acordeom não permite pausas nem quebras de movimento. Braços e mãos também são bem vindos apesar do som ser mais pesado e acabar pedindo mais trabalho de tronco e bacia. Andadas e caminhadas simples são muito bem vindas. Em alguns momentos, quando a nota fica muito rápida, cabe até um tremido soltinho e um pouco mais lento.

 

Nunca aquele tremidão percussivo. É muito comum o teclado imitar o som do acordeom, mas a leitura indicada continua a mesma. Você perceberá que o som do teclado é bem mais estridente e não tem a emoção do acordeon.

 

Assim como o acordeon, recentemente o sax vem sendo amplamente utilizado na música árabe, muitas vezes junto com orquestras. Um músico que faz utilização deste instrumento é Samir Srour.