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Candelabro

No Egito, existe o costume de acender velas ao redor de um recipiente de barro, dizem que esse costume originou-se de antigas danças ao redor de velas acesas onde o jogo de luzes e sombras projetava-se de uma maneira peculiar e graciosa, formando diversos desenhos aleatórios na parede e no chão. Para se criar um efeito mais maravilhoso é ideal que as luzes do recinto estejam apagadas ou na penumbra. O Racks AL Shamadam é sem duvida uma das danças mais encantadora realizada por mulheres através de ritmos lentos demonstrando assim toda sua técnica e agilidade com o candelabro suspenso na cabeça.

 

A Dança do Candelabro esta ligada as festas de comemorações do casamento árabe, acompanhado por tocadores de Duf e cantores árabes. Essa procissão sem dúvida nenhuma recorda as comitivas que aparecem representadas nas tumbas faraônicas, confirmando a origem milenar desse tipo de dança.

 

A dança do candelabro (Racks AL Shamadan) deu-se inicio no século XX, anteriormente a esse período a dança era realizada por bailarina e músicos apenas com 3 velas longas e também por membros familiares acompanhando a procissão com outras velas na mão.

 

Historicamente falando, uma maneira de anunciar o noivado é fazer um ZEFFAH (Procissão de noivado). A procissão zeffah tradicionalmente ocorre durante a noite, o seu caminho sinuoso através das ruas do bairro a partir da casa dos pais da noiva para o seu novo lar na casa do noivo. Uma bailarina segue guiando a Noiva à frente, acompanhada por músicos e familiares até chegar a sua nova casa. Durante um Zeffah, um ritmo especial é tocado somente em casamentos, chamado Zeffah Shamadan. Então todos saem de suas casas para ver quem esta casando. Este ritual é feito há décadas.

 

Há pessoas que dizem que esta foi uma criação da famosa bailarina Shafia el Koptia, outros dizem que esta dança ficou famosa pelas “Awalem” de Mohammed Ali Street, um quarteirão famoso no Cairo.

 

Devido aos tempos modernos alguns casamentos “aprimoraram” essa procissão como exemplo faz essa dança da porta central do Bifê/Hotel até onde os convidados se encontram. Houve certo tipo “adaptação” a antiga tradição.

 

As “Awalem” foram mulheres cultas, muito bem educadas e com um grande conhecimento musical, as quais inicialmente foram vocalistas e mais tarde tornaram-se dançarinas. Durante certo tempo elas foram muito solicitadas e possuíam um grande valor, entretanto, passaram por um período em que a arte fora corrompida e chegaram a ser procuradas apenas como cortesãs.

 

Desenvolveu-se um sistema de negócios de entretenimento em volta das apresentações do Shamadan. Contratada pela família do noivo, a bailarina era paga para dançar tanto na procissão Zeffah, como no Farrah, uma festa realizada após o Zeffah. Então a bailarina escolhe os músicos no qual quer trabalhar pagando-os para os dois momentos.

 

Nos anos 40 e 50 a bailarina Tahia Carioka, foi a pioneira em se apresentar juntamente com o candelabro e com a dança tradicional Racks Sharki a qual recebeu diversos elogios pela alta sociedade.

 

Movimentos Específicos:

  • Zeffah Shamadan

 

Nesse momento do ritual a simbologia é que a noiva esta mudando de papel/posição na sociedade. Esta deixando de ser uma criança/adolescente para entrar na vida adulta, a vida de uma esposa e mãe. Daí, a explicação da saída da casa da noiva até a casa de seu futuro marido.

 

A Bailarina durante esta procissão/processo deve representar a pureza da criança/adolescente que se tornará uma adulta. Ela representa a inocência da mulher, portanto movimentos brutos de quadris como tremidos não são bem vindos, muito menos movimentos de chão, esses são decididamente proibidos ressaltando que a “mulher” que esta casando é supostamente virgem/pura.

 

O ideal é trabalhar movimentos sutis de braços, como braço de serpente, puxar fios laterais, ondulações de mãos, como também pequenas rotações no quadril como: oitos, redondos, entre outros e até pequenos giros. Tudo muito delicado.

 

Seu estilo musical é bem lento, portanto a bailarina deve tomar o máximo de cuidado para não ir rápido demais, porque todos desejam ver a noiva passar.

 

Pode-se utilizar uma ou mais bailarinas para o Zeffah, dependendo da posição financeira da família, trabalhando com diversos shamadans e até mesmo com Duff/Pandeiro/Req á frente da procissão.

 

  • Farrah Shamadan

 

O Farrah Shamadan, já acontece na casa do noivo, é a segunda parte da procissão. Nos dias atuais como foi dito anteriormente, as bailarinas podem fazer uma prévia do Zeffah no “hotel/Bufft e logo depois dar inicio ao Farrah.

Podem-se utilizar as mesmas bailarinas da primeira procissão para dar continuidade a festa, mas aqui vemos uma mudança significativa, tanto na dança como na música.

 

A bailarina tem total liberdade para usufruir de movimentos de quadril como shimis, batidas deslocamentos, e até tremidos e a dança de chão, a qual nesse momento é bem vista pelo publico.

Há boatos que a dança do chão na dança do Racks AL Shamadan ficou famosa por três motivos:

 

1)    Movimentos que exigem bastante elasticidade e flexibilidade da bailarina

2)    O ato de ficar com a barriga para baixo e trabalhar os pés para cima e para baixo alternadamente

3)    Na mesma posição anterior elevar umas das pernas para cima encostando o tornozelo em um dos pulsos e ao mesmo tempo poder estar tocando snujs no ritmo pré-determinado da música. 

 

Trajes:

  • Zeffah Shamadan

O traje mais indicado é vestido cobrindo a barriga, ricamente trabalhado e bordado. Porém, diferentes famílias egípcias solicitam diferentes tipos de trajes como:

§  Só vestidos

§  Roupa tradicional, bustiê, pala e saia

§  Roupa totalmente coberta, incluindo ombros e braços

Jamais utilize branco ou preto (caso for durante o dia). Adornos como strass ou outros tipos brilhantes e coloridos são bem vindos.

 

**Dica: Caso você opte pela cor verde ela trás proteção contra a má sorte no casamento.

 

Procure roupas confortáveis, há a possibilidade de utilizar sapato ou não ao dançar ficando á seu critério.

E se você optar em utilizar o snuj, treine antes para não cometer erros porque lembre-se sempre já não é fácil dançar com o snuj e o candelabro separadamente, imagine se for uni-los ao mesmo tempo.

 

  • Farrah Shamadan

Escolha também roupas confortáveis caso você resolva fazer a dança do chão, a roupa não deve atrapalhar seus movimentos, tome cuidado com as fendas exageradas assim não deixará á mostra suas pernas nem suas roupas íntimas. Tanto calças como saias, lhe permitem fazer o Farrah juntamente com a dança do chão, só tome cuidado com as dicas citadas acima.

 

Músicos e Instrumentos:

 

Ø  Zeffah Shamadan

O instrumento mais utilizado é o derbak. Tradicionalmente são mulheres que tocam o Duff/pandeiro/req com alguns músicos acompanhando a melodia.

Os instrumentos mais utilizados são: Req/Pandeiro, Mizmar, Tablah, Conga e Corneta.

Caso a família não tenha recursos financeiros para a contratação de músicos, os membros da família se apoderam dessa tarefa, o que torna o zeffah mais informal, sem bailarinas e sem músicos.

 

Ø  Farrah Shamadan

De acordo com a tradição, os músicos são os mesmo que tocaram no Zeffah. O que diferencia é que agora colocam mais instrumentos egípcios.

 

Ritmo:

  • Zeffah Shamadan

É utilizado um ritmo específico que só tocado em casamentos, o Ritmo Zeffa ou Zaff, seu compasso é de 4/4: Dum taka taka Dum taka .rrrrrr (Rush Derbak)

Ø  Farrah Shamadan

Qualquer ritmo alegre, para a realização da festa, exceto ritmos folclóricos ou religiosos, como ayoub por exemplo.

 

Músicas famosas para o Zeffah Shamadan:

-  Dokku AL Mazarhar

-  Mabrook Alayki (Música parabenizando os noivos e lhe desejando muita sorte no casamento.

 

Músicas famosas para o Farrah Shamadan:

-  Bambi

-  Shamadan Haritn