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Dança com Espada

Há dois estilos de dança da espada: a folclórica, realizada por homens e a clássica, feita por mulheres. O primeiro estilo possui uma conotação de luta, realizada pelo homem mais velho da aldeia, que golpeia a espada em um prato de metal. Em praticamente todo o Oriente Médio a dança da espada é praticada apenas por homens.

 

Inicialmente, a versão feminina tinha a finalidade, por meio do equilíbrio da espada na cabeça, de chamar a atenção das pessoas e atraí-las para comprar suas mercadorias. Mais tarde, desenvolveu-se um estilo predominantemente clássico de dança que teve sua origem nos Estados Unidos através da famosa bailarina Jamila. Conta-se que um árabe muito rico, em uma visita à Califórnia, ficou encantado ao ver sua dança e a presenteou com uma espada de ouro. Solicitou então que fizesse uma apresentação para ele envolvendo o objeto. Jamila realizou um número muito bonito que mesclava equilíbrio com a espada e diversos movimentos sinuosos e de suspense. Ela realizou um cambrê apoiando a espada no chão e, ao retornar, o instrumento ficou preso ao piso de madeira. Perante os olhos do público, tudo fora planejado em sua dança e nesse dia, Jamila foi ovacionada. Desde então, a Dança da Espada tornou-se um sucesso entre as bailarinas americanas invadindo o mundo árabe por volta dos anos 60.

 

Dizem também que a dança da espada surgiu como uma forma simbólica de libertação das mulheres, que em diversos contextos históricos, foram subjulgadas pelos homens. Assim, elas começaram a dançar com estas armas de guerra, símbolos da violência e do poder com movimentos sinuosos, delicados e com equilíbrio, mostrando total controle do objeto. A lição de moral é muito bela e representativa: “Você controla a minha vida, mas não o meu espírito.”

 

Outra versão indica que a dança é uma homenagem à deusa egípcia Neit, considerada protetora, caçadora, guerreira e que abria caminhos. Outras afirmam que as mulheres tomavam as espadas dos guerreiros e guardas no final da guerra e equilibravam no seu corpo para demonstrar que eram melhores como acessórios do que como armas.

 

Há também quem diga que elas dançavam assim como uma espécie de agradecimento ou celebração da vitória na guerra. Neste sentido, a dança reflete a luta dos árabes pela terra. Por fim, outra lenda conta que elas precisavam demonstrar habilidades para seus reis. Independente da origem, esta da dança demonstra habilidade, técnica de dissociação perfeita e total controle do corpo – ou como propõe a primeira lenda, do espírito- da bailarina.

 

A espada pode ser de diversos materiais e ter vários pesos. Em geral, são prateadas. As egípcias e argentinas são mais pesadas e possuem desenhos e ornamentos tanto no cabo quanto no metal. Aqui no Brasil, você encontra também as opções em inox, com menos detalhes e muito mais leves.

 

Você pode escolher entre espadas com chanfradura, lixa ou parafina no chamado ponto de equilíbrio, região na qual você deve equilibrar a espada. O cabo pode ser em metal, madeira ou com acabamento em couro. Cuidado com as lixas, que podem quebrar todo o seu cabelo, ainda mais se você tiver dificuldade de equilibrá-la.

 

A bailarina pode usar a espada para fazer poses ou equilibrá-la na cabeça, mãos, cintura, abdômen, ombro, coxa, pés e onde mais a sua imaginação deixar. É utilizada em músicas lentas, por isso, é comum ver oitos, redondos e outros movimentos sinuosos como os camelos e ondulações durante a apresentação. Porém, é comum ser usada em danças de chão e em derbakes, com shimis e marcações. Nos deslocamentos, é usada principalmente com giros.